segunda-feira, 4 de maio de 2009

"Agradeço a São Marcos pela graça alcançada."

dez anos atrás havia um santo cansado de viver ofuscado no reino dos santos. Realmente ele não era o mais popular, perdia fácil para nomes da "high society" sagrada como Santo Antônio, o casamenteiro, Santo Agostinho, o benevolente ou Santo Expedito - o mais famoso - por ser o das causas impossíveis. Ninguém o via, ninguém o notava, ninguém dava créditos aos seus milagres. Assim, resolveu vir a Terra e se disfarçar. Escolheu ser um homem comum, mas não conseguiu e o mundo logo percebeu que se tratava de uma figura sagrada. Logo o povo lhe apontou o dedo e gritou: "São Marcos". Transformou-se novamente em santo e pensou em voltar para casa, mas foi aclamado: "P*** que pariu, é o melhor goleiro do Brasil, Marcos", passou a ser conhecido no solo sagrado como: São Marcos, o arqueiro.

Permitam-me chamá-lo de arqueiro e desculpe-me Rogérios, Didas, Júlios, Oberdans, Ronaldos, Toldos, Aranhas Negras, entre outros goleiros, Marcos é arqueiro, pois é guerreiro, é herói de uma Copa do Mundo com a mão fraturada, pára os melhores atacantes, matadores, ídolos, "craques" com milagres em tempo real, o torcedor ora pela defesa na hora e esta é atendida, que santo o faria?


Ontem, peguei-me imaginando o que se passava na cabeça do batedor de penaltis do Sport então descobri as defesas de São Marcos. Ao posicionar a bola na marca da cal, o batedor não olha para o gol, apesar de saber que está São Marcos, ele não se atina, está levado pelo grito de sua torcida que o matém empolgado, pensando como será a explosão da sua comemoração, ele tenta ajeitar a bola de modo que a matenha fora da irregularidade do gramado, o juiz lhe chama a atenção pois está fora também da marca e ele, a contragosto arruma, vira-se de costas para a bola e, olhando para os companheiros no meio do campo, ajoeilhados e abraçados, ganha toda a confiança de que precisa, caminha por volta de 8 metros ou 10 passos, apoia as mãos na cintura, não tem mais o que pensar, já definiu a batida, como vibrará e já lembrou "preciso abraçar meu goleiro no final para lhe dar força", sendo assim ele se vira.......................................................soa o trilar do apito e ele olha para o gol, São Marcos está lá, parado, inerte............"nossa, não pensei no Nele, peraí, o juiz apitou", recorre a força da torcida, mas olhando para o arqueiro, de repente, a torcida não existe mais, aliás, não existe mais nada, não existe a Ilha do Retiro, não existe a Libertadores, não existe campo, apenas o gol com Ele e o batedor com a bola, então ele corre e espera que São Marcos defina o canto em que ele não deve bater, mas dos 10 passos, 6 já se passaram e Ele inerte, 8 passos e inerte.....na sua cabeça só resta seguir o plano - canto direito à meia altura com força razoável para não errar -....seu pé toca a bola e ele a vê ficar menor, fruto da distância que ela ganha de seu corpo ao mesmo passo vê São Marcos ficar maior, parece câmera lenta, fica surdo mas rezaria para ser cego, pois, Ele continua a crescer e a ir para o canto direito, à meia altura.... Por ser santo, Ele devolve os sentidos ao batedor e quando este os recupera ainda tem tempo de ver a ovação da torcida adversária, o santo sendo carregado como se numa redoma estivesse e com seus devotos abaixo gritando... "P*** que pariu, é o melhor goleiro do Brasil, Marcos". "Agradeço a São Marcos pela graça alcançada." Nação Alviverde

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