quinta-feira, 18 de junho de 2009

O Brasileiro tem a memória curta


Até quando os corneteiros de plantão (grupo o qual me insiro), torcedores, repórteres, jornalistas, comentaristas, entre outros formadores de opinião em geral vão continuar sem dar o braço a torcer?

Dunga nunca foi unanimidade, ainda mais quando foi anunciado como novo técnico da seleção canarinho onde se especulavam nomes de “Vanderleys”, “Muricis”, “Autuóris”, etc... O ex-capitão veio por fora e foi anunciado como novo comandante do esquadrão brasileiro.

E todo mundo ficou com aquela cara de “E agora José?”.

Eu me incluo nesse “mundo”.

Antes mesmo da primeira convocação Dunga já era contestado, afinal qual era sua experiência como treinador?

E ela veio.

Com ela, as primeiras, de infinitas criticas que se sucederam.

Surgiram as primeiras vitórias, mas que não convenceram. A primeira derrota, suficiente para criar um tsunami na imprensa em geral para cima da nova comissão técnica. Sucederam-se outras vitórias ou empates em partidas feias. Mais críticas e questionamentos...

Dunga é, como eu e como o leitor que está em frente ao monitor agora, de carne e osso. Não estou justificando suas atitudes mal-criadas em relação à imprensa, afinal, ele como pessoa pública e líder que vive num país democrático deve aceitar críticas, por mais pesadas e hostis que sejam. Mas às vezes o ser humano explode...

E seu grande erro foi em persistir com sua postura agressiva.

Mas o ponto é: Sim, a comissão técnica cometeu erros no meio desse caminho. Quem não lembra do Afonso? Ou mesmo da derrota histórica para a Venezuela?

Pois é, errou. Mas acertou muito mais vezes...

As atuais estatísticas não mentem. Como diria o ditado: “Contra fatos não há argumentos”, ou pelo menos nesse caso existem poucos argumentos.

Concordo que essa seleção por muitas vezes não apresentou o futebol plasticamente mais vistoso que já vi, mas no meio desse caminho, grandes atuações aconteceram:

Por duas vezes: Brasil x Argentina (3x0). Brasil x Portugal (6x0). Entre outros. Além do único título conquistado no único campeonato que a seleção disputou na era Dunga – A Copa América. Ah, apenas lembrando, o Brasil lidera isoladamente as eliminatórias com campanha muito melhor que as duas últimas.

Desde 1987 não houve uma seleção com aproveitamento melhor no “entre-copas” que a atual. Lembrando que a seleção de Parreira pré-94, perdeu pela primeira vez na história uma partida de eliminatórias. A seleção de Felipão se classificou no último jogo e a do mesmo Parreira, pré 2006, recheada de estrelas, com exceção da copa das confederações, não encheu os olhos de ninguém.

Parece que todos se esqueceram desses fatos acima. Pelo menos aqueles formadores de opinião que citei no início do texto parecem ter esquecido. A memória apagou de todos as críticas que Felipão recebeu antes da copa de 2002 onde em 1 mês, ele passou de gaúcho-retranqueiro a gênio da criação de grupo (e de fato, essa é sua maior virtude como técnico).

Realmente brasileiro tem memória curta.

E eu sou brasileiro. Felizmente.

Mas estou aqui pra me retratar e dizer que hoje existem mais motivos pra se elogiar o trabalho de Dunga do que contestá-lo, mesmo em caso de fracasso na Copa das Confederações.

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